Como aprendemos o que aprendemos

Como aprendemos o que aprendemos

14 ago Faria Brito

O modo como aprendemos, ou seja o “ Como Aprendemos” tem se mostrado de grande relevância frente apenas “ao que se aprende”, o conteúdo simplesmente. Entendemos que para termos capacidade e condições de se aprender algo devemos ter despertado o desejo e a curiosidade, tendo como base a capacidade do cérebro de se reorganizar de acordo com os estímulos recebidos. Assim é possível aplicar no ensino o conhecimento de como funciona a mente do aluno em todas as etapas de seu desenvolvimento.

A maioria das crianças passa pela fase da Educação Infantil com seu ritmo, maturidade e forma como responde aos estímulos respeitados. E quando chegam ao Ensino Fundamental, é possível manter esse princípio? As crianças então precisam se adaptar à quantidade de conteúdo estipulada pela escola e à forma como é ministrado, sob a pena de serem retidas. As diferenças passam a ser, muitas vezes, desconsideradas e até despercebidas pelos professores. Ensinar passa a ser sinônimo de apresentar as informações, memorizar e aprender.

O que se torna primordial saber é o fato de que a maior parte dessas informações se instala na memória de curto prazo das crianças, de onde logo são descartadas. Para que isso não ocorra, aprender deve deixar de ser obrigação e tornar-se algo prazeroso, o que é perfeitamente possível se entendermos que a quantidade de conteúdo que repassam não pode ter prioridade sobre a forma como é repassado.

Atualmente, temos que tomar como base o conhecimento sobre a forma como o cérebro assimila e armazena as informações. Assim sendo, os educadores irão levar em consideração elementos como as emoções, as expectativas, o ambiente e o nível de estresse e ansiedade de cada criança.

Pesquisas recentes revelam que sob o efeito do hormônio do estresse (cortisol) as capacidades de memorizar e aprender ficam prejudicadas. Como a função primordial do cérebro é a sobrevivência, em uma mente sob pressão ou ameaça, o foco da atenção é direcionado para a fonte de preocupação e a região do hipocampo, responsável pela memória, tem a atividade reduzida.

Na mesma medida se sabe que o cérebro descarta as informações que não lhe fazem sentido, que não lhe despertam atenção e curiosidade como algo interessante e significativo. Para dar sentido a um conteúdo é preciso trazê-lo o mais próximo possível para a realidade da criança, permitindo que a mente faça associações que ajudem no processo de consolidação da memória.

Já a dopamina ativa a atenção e a região da memória, o que faz esse neurotransmissor ter um papel fundamental no aprendizado. Quando o cérebro recebe a mensagem de satisfação, de compreender e de vivenciar algo novo, libera-se o hormônio da dopamina. Por isso ele precisa lembrar-se da situação que ativou o chamado sistema de recompensa, o que explica a ação dessa substância na memória e no aprendizado.

Vamos pensar nas situações que mais comumente encontramos em nossas casas? Os nossos filhos frente aos jogos eletrônicos: eles vivenciam a dopamina ativada no cérebro todo o tempo, quando mantêm as crianças interessadas, apresentando superações graduais de níveis, pontos, prêmios, moedas e outros ganhos. Sabemos o quanto essas estratégias funcionam. Trazendo agora para a realidade das nossas salas de aulas, o mesmo modelo de recompensa pode ser ativado se o aprendizado envolver jogos, brincadeiras e estímulos no lugar de pressão e ansiedade.

Quando aprender é divertido, o espaço é seguro e acolhedor, quando cada esforço – e não apenas a nota – é valorizado, a escola está cumprindo o seu papel mais importante: de desenvolver o prazer pelo conhecimento. Isso adquiri um grande valor para o estudante e quase sempre é capaz de transformar e ressignificar histórias.

Luciana Galvão

Psicopedagoga da Oficina da Criança

Postado em Artigos