Por que a criança morde?

Por que a criança morde?

05 fev Faria Brito

Por que a criança morde?

A resposta é simples: porque sua força ainda é oral. Se a sua relação com o mundo ainda é oral (a mamadeira, o seio, a chupeta), a manifestação de sua força também o será. Neste contexto, a mordida é primordialmente uma força de competitividade e não agressão ao outro. A prova é que a criança morde em qualquer lugar; no braço, no ombro, nas costas, até no calcanhar, simplesmente por uma disputa pelo mesmo objeto ou por se sentir frustrada frente a uma vontade sua não atendida.

As crianças pequenas às vezes mordem até por razões mais inocentes. Para uma criança curiosa, morder pode ser apenas outra experiência de uma pesquisa sensorial (- Que gosto terá o braço da Ana?).

Morder também pode ser uma mera questão de imitação. Ou pode ser um sinal de que ela está aborrecida, cansada, sofrendo de uma sobrecarga de sensações ou faminta; da necessidade de mordiscar alguma coisa (ou alguém), para avaliar a dor causada por dentes que estão nascendo; ou de que a criança está pouco à vontade em um ambiente novo. Ou ainda, como diversos outros comportamentos negativos, morder pode representar apenas uma forma de chamar atenção. Além disso, em muitos casos, a ausência da linguagem também possibilita este “recurso” de comunicação.

Não é fácil para os pais assimilarem essas mordidas sem mágoa ou indignação, de alguém que não se conforma com a situação ao ver seu filho tão desprotegido, agora marcado pelos dentes de um colega. Mas, os pais da criança que praticou o ato também convivem com o desconforto e o constrangimento.

Qual o papel da escola?
Nestes casos, as profissionais que estão lidando com as crianças, em primeiro lugar, acolhem aquela que foi mordida, procurando entender a natureza do fato que gerou a situação e, em seguida, conduzem de forma que ambas coloquem não só o acontecimento como também e, especialmente, o sentimento envolvido. Medidas e ações cabíveis serão tomadas durante a rotina escolar.

É claro que, vencida esta primeira etapa, algumas crianças podem persistir mordendo, seja para confirmar suas descobertas ou para “testar” o meio ambiente (disputa de poder, questionamentos de autoridade etc.). Ou ainda pode ser uma tentativa de defesa: ela facilmente descobre que morder é uma atitude drástica, mas que de fato “resolve” o impasse, a disputa.

O fato é que a mordida é uma conduta que pode ser administrada dentro do grupo de crianças: tanto em relação às crianças que mordem quanto àquelas que são mordidas. O educador pode, por exemplo, oferecer a estas recursos variados, possibilidade de planejar suas ações e estratégias no sentido de fazer com que as crianças reflitam, à sua maneira e coletivamente, esta questão, mostrando-as que o querer ou o não querer algo é legítimo, podendo e devendo ser “comunicado”, mas utilizando a linguagem oral como principal recurso. Além disso, a escola trabalha de forma lúdica e pedagógica os sentidos, os gostos, o afeto e a divisão de espaço necessária para uma boa convivência.

E a família?
Orientamos que ao receber seu filho mordido não supervalorize o fato, por mais difícil que isso possa parecer, assim com também não o estimule a revidar este comportamento. Por outro lado, mostre-se interessado em ouvir seu sentimento, como conseguiu resolver a situação e se recorreu às professoras.

Compreenda este momento como forma de comunicação entre as crianças pequenas, cuja linguagem oral está em desenvolvimento e ainda aprendendo a dividir seu espaço com outras crianças da mesma idade.

Busque, se necessário, suporte junto aos profissionais incumbidos de coordenar as vivências dessa faixa etária no ambiente escolar.

Cordialmente, Equipe da Educação Infantil.

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